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12 novembro 2007

Casada com um Beduíno


Marguerite Van Geldermalsen, uma jovem neo-zelandesa, viajava com uma amiga pela Jordânia quando conheceu Mohammad, um beduíno bonito, de ar afável e risonho, que lhes propôs conhecerem o seu modo de vida. Aceitando a hospitalidade, as duas amigas vivem a aventura de passar a noite numa caverna. Na manhã seguinte, são convidadas para assitirem a um casamento tradicional e é durante a cerimónia que Marguerite e Mohammad se tomam de amores um pelo outro.

De uma forma simples, directa e tocante, Marguerite relata como foi o seu dia-a-dia partir do momento em que se casou com Mohammad e deu à luz os seus três filhos. Assistimos à sua adaptação a um modo de vida totalmente novo, que vai desde habitar numa caverna, sem electricidade, água canalizada ou casa de banho, a ter de ir de burro buscar água, lavar roupa no rio, fazer pão e aprender a língua e os costumes de um povo primitivo. Assistimos ao confronto entre a sua mentalidade ocidental e a de um povo cheio de tradições e superstições. Ao choque cultural, linguístico, religioso e ideológico, mas também à sua adaptação, por amor e grande entrega, a um povo que a recebeu e integrou como sendo uma deles.

E é isto que tenho andado a ler deliciada... =) Reparem nestas passagens fantásticas!! Quase se chega a sentir o cheiro a pó e a areia fina na boca!! =D

"Ao lado da caverna Al-Jimedy construiu uma cozinha com paredes de pedra, mas as chapas de lata que tinha recolhido para fazer o telhado nunca chegaram a ser colocadas e as mulheres discutiam com ele todos os dias. [...] Passei lá várias longas tardes de Verão. Até a tenda deles ser reocupada, sentávamo-nos perto dela, à sombra, na extremidade do rochedo, com o bebé mais recente a gatinhar preso por um tornozelo a uma estaca com um lenço atado com um nó largo, e os mais velhos a atirar pedras às cabras que berravam na parte de baixo. [...]
Sentava-me muitas vezes junto dos homens. No início, quando éramos convidados para almoçar ou jantar, ficava sempre ao pé de Mohammad e comia com os homens. Só quando comecei a conhecer as muheres e a saber falar melhor é que passei a ficar ao pé delas. Porém, em casamentos ou festejos mais demorados, Mohammad vinha muitas vezes buscar-me para junto dele; ele sabia que eu adorava café e recostar-me nas almofadas. [...]
Mais tarde, durante os festejos, os rapazes mais novos, com o seu kohl, os seus thaubs e mendeels com franjas, mudaram de registo e dançaram a dub-ka dando voltas e voltas. Sacundindo o mendel, Abu Saksooka cantava o refrão - «Reda ha, Reda HA!» - e todos batiam com os pés no chão. O pó estava por toda a parte, o tambor bramia e, braço com braço, lá rodavam eles. [...]"

2 comentários:

Hindy disse...

Por acaso também li um do género..."Casei com um Massai" e também adorei!

Agora voltei mesmo! Já tenho net cá deste lado! Yupi!!!

Beijinho hindyado

Rui Gonçalves disse...

Belíssimo, simplesmente isso.