Quando iniciamos a dança, os professores concentram-se, geralmente, na técnica: a forma correcta de fazer um "hip lift hip drop", um "shimmy", a forma correcta de isolar um "hip circle" (a que chamamos de "círculo da lua"), de produzir uma ondulação fluida do corpo, de juntarmos um "shimmy" a outros movimentos. A técnica é deveras importante, pois sem esta a dança não faria sentido. Uma técnica má poderá mesmo causar graves lesões no corpo. Mas apenas técnica nao chega. A dança é uma expressao artistica: expressividade, emoçao, alma, espirito...Se não pomos a nossa alma na dança, provavelmente tal se deve a nos termos deixado controlar em demasia pelo lado lógico e organizado do nosso cérebro. Culpada. Admito. Porque ultimamente consigo deixar de pensar em 1001 coisas quando deveria simplesmente relaxar e aproveitar o momento. Coisas como "Deveria de terminar aquele trabalho para a faculdade" ou "1E...tenho só 1E na conta...que raio vou fazer agora?" sao distracções que apesar de representarem coisas importantes no "mundo fora do ginásio", não deverão entrar connosco para o treino. Claro, tambem existirão outras causas simplesmente relacionadas com a dança, como estarmos tao concentradas em fazer um determinado movimento com tanta perfeiçao que começamos a imaginar que tipo de crítica se estará a formar na cabeça da professora quando esta nos observou com um ar pensativo. Distracçoes, distracçoes...Uma mente ocupada pode nos retirar o prazer de dançar. É necessário encontrar uma forma de esvaziar a nossa mente de todas as distracções, deixarmo-nos transportar para um "mundo onde existo apenas eu, a minha musica e a minha resposta a ela". Libertar o espírito, deixar os pensamentos nem que seja por breves instantes...Cada dançarina tem a sua forma particular de o fazer, mas encontrei um método que funciona para algumas pessoas.

- Seleccionar uma musica que nos chege ao coraçao, que conseguira transportar a nossa imaginaçao para um mundo de alegria, paixao, etc...
- Ouvir a musica vezes sem conta, até a decorar tão correctamente que poderemos ouvi-la na nossa cabeça mesmo quando esta já não está a tocar [meninas, lembram-se de Emad Sayyah com "Tamam"? essa música infernal!]
- Enquanto ouvimos essa música, permitir a nos mesmas sentir uma resposta emocional as melodias. Por vezes ajuda obter uma tradução das letras, se esta não for apenas instrumental. Estar atenta a que tipo de emoções essa música desperta em nós. Prazer? Êxtase espiritual? Introspecção? Tristeza?...
- Agora dançar a música na privacidade do lar (ou outro sitio qualquer, desde que estejamos sós), e tentar alcançar a emoção que nos é provocada. Não serão necessários "sorrisos amarelos" ou choros histéricos! Apenas tentar encontrar no íntimo do nosso ser, uma resposta emocional.
- Não se preocupem em repetir o mesmo movimento vezes sem conta ou se a junção do "shimmy" com o "circulo da Lua" foi feito com precisão. Dançem com o coração, não com a mente.
Continuar a praticar esta "dança como resposta emocional" de forma regular na prática caseira de dança. No entanto, há que praticar separadamente a "dança como precisão técnica". De inicio, nao tentem juntar as duas. Temos de ter experiencia suficiente com ambas, para nos sentirmos a vontade com cada ponto de vista no que diz respeito a dança. - Finalmente, ter-se-à experiência suficiente com ambas a ponto de as juntar com sucesso. Saberemos que é a altura indicada quando deixamos as nossas emoções (respostas) tocar a música com confiança.

Aqui estão representadas várias emoções que tentaremos alcançar enquanto dançamos:

Alegria - pensamentos de: "Isto é mesmo divertido!", "Estou apaixonada e quero que o mundo inteiro saiba!" ou "Eu amo esta música!", enquanto dançamos uma melodia alegre e divertida.
Reflecção entristecida - pensamentos de: "Tenho saudades daqueles tempos felizes em que estava apaixonada mas seguirei em frente", que é o ideal para trabalhos de véu ou ondulações enquanto dançamos uma música triste.
Introspecção sonhadora - pensamentos de "Vou-te deixar olhar para mim e envolver-te na minha fantasia" (nada de pensamentos sado-masoquistas aqui por favor!), o que é perfeito para trabalho de véu e ondulações.
Força e Poder, como uma princesa guerreira (sim, pensem na Xena ou assim) - pensamentos de "Sou uma mulher, ouve-me rugir!" ou "Tenho uma arma e não tenho medo de usá-la!" são perfeitos para uso de espada ou bastão.
Provocante, em tom de Brincadeira - pensamentos de: "Aposto como não consegues fazer isto!" ou "Eu faço melhor que tu" (coisa que já vimos que a Zaahirah conhece bem :P).
Travessura - pensamentos de "Ainda falta muito para o empregado de mesa perceber que estou a segui-lo com o meu véu?" são perfeitos para espectaculos em ambientes descontraídos e ao som de musicas alegres.
Surpresa aprazível - pensamentos de: "Wow, não sabia que conseguia fazer isto!" enquanto se executa um movimento dificil.
Independencia proclamada - pensamentos de: "Aquele homem passou tantoooo para a historia!" ou "Preferia estar só a estar contigo!" ou "Tenho tudo, não preciso de ti!"
Humor - bom para recuperar apos falhanços, por exemplo, ao estar constantemente a ficar presa no veu, po-lo de parte, fazer uma pose como quem esta a disparar sobre o véu. (alguem re-al-men-te tentou isto??o_O)
Apreensão - ajuda na construçao de um drama.
Sugestões a parte...cada uma tem de encontrar a sua forma de expressão.


5 comentários:
Sim senhora Shadiyah!!! Já sentia falta dos teus posts!!! Percebo o que sentes.... também já tive e ainda tenho as minhas crises de insegurança. Mas, tal como dizes, tudo passa pela cabeça. Tens de te abstrair de tudo!!! Quando danço não consigo pensar em nada triste.... apenas sinto a música e sigo-a... não é que me ache melhor que ninguém, apenas olho para mim e penso "Quem te viu e quem te vê....", ou "quero fazer isto para sempre...." Esse é o verdadeiro segredo da dança, independentemente de se dançar bem ou mal. Pude experimentar essa sensação quando dancei sozinha numa disco na Tunísia. Aí pude transmitir a toda a gente que parou (literalmente) para me ver dançar de improviso. Ali atingi o verdadeiro espírito da coisa... é assim que tem que ser... dançar e nada mais, como se o mundo fosse acabar e tivessemos apenas uma última oportunidade para mostrar que valeu a pena viver. E vai sempre valer, desde que possa dançar!! =D (a ver se agora percebem porque não gosto que gozem com as caras que faço enquanto danço, porque o faço inconscientemente... não para vocês me acharem "muita boa", ou "péssima", ou o que quer que pensem.... faço-o para mim mesma, de forma a provocar-me e a ver até que ponto chego)
Parabens pelo o excelente conteudo!
mt bem! parabens pelo post. so sinto pena de ter tantos erros!!!!! ai ai q letras fica mal vista...
Realmente está muito bem conseguido!
A dança é algo tão lindo, tão sensível e muitas vezes, tão injustamente julgada por quem sofre de limitações de sensibilidade e de mente bloqueada por preconceitos sem fundamento real...
É algo tão frágil como o amor platónico, desencadeia-nos tantas reacções e sentimentos, e temos sempre aquela dualidade de desejo de perfeição versus medo de não conseguir...
Adorei o artigo os meus parabens!!!
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