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22 abril 2006

Conhecer a música


"Dança é música materializada."

- George Balanchine, 1993


Entre uma das minhas inúmeras pesquisas na net deparei-me com temas interessantes respectivamente à dança do ventre: sentir a música, perceber a música, o que esta nos pretende transmitir. Tudo bem, dançamos, dominamos a técnica, mas saber algo sobre a música também ajuda para conseguir exprimir melhor não apenas o que sentimos nós próprias ao dançar aquela melodia em especial mas também o que o/a cantor/a ou músico pretendia transmitir. Tentar saber sobre o que determinada canção trata é importante, assim entramos mais na música, a dança flui de forma mais confiante...percebemos a melodia. Nem todas nós ouvimos a música, sentimos a música e dançamos realmente ao som da música.
Interpretar a letra é um factor fundamental quando pretendemos entrar dentro da melodia e isto nem todas conseguem, nem mesmo quando se encontram num nível mais elevado dentro da dança do ventre. Primeiro vem a necessidade de nos familiarizarmos com as diferentes sonoridades, aprender a ouvir a música árabe, aprender as regras básicas, depois vêm as técnicas em si, aprender, praticar para mais tarde ir aperfeiçoando o que temos vindo a assimilar...e quando parece que tudo se torna uma repetição, que já não há mais nada a aprender? Este é um nível mais elevado, mais consciente, e tudo o que já se aprendeu pode ser aperfeiçoado até ao mais ínfimo pormenor mas seria tudo em vão sem este pequeno pormenor: entender a música, senti-la. Mas esta é a minha opinião, não sei se estarão de acordo comigo nestes aspectos. Começei há não muito tempo e embora a experiência não seja muita a dedicação é grande o suficiente e sinto que esta dança já é parte inseparável da minha vida. Já referi o quanto amo esta dança, e para além de aprender aos poucos todas as técnicas (sinto que ainda sei tão pouco!) quero aprender a ouvir a música e exprimi-la de forma mais envolvente. Também sentem esta necessidade de evoluir na dança? É quase como querer ser parte da melodia.
Demonstrando como o aspecto que referi anteriormente é importante:

Escolha errada da música a interpretar - Quando contratada para dançar num casamento árabe, a dançarina escolhe a sua música predilecta dentro do género, Lisah Faker. Ela adora a música mas não faz ideia que esta é sobre uma relação falhada que conta "Achas que o meu coração ainda vai confiar em ti, ou uma palavra irá trazer de volta o que era real? No meu coração, todos os meus dias passaram em lágrimas... esta era a minha vida!". Vejamos...esta não seria propriamente uma música perfeita para um casamento!

Ofender a religião muçulmana - Não seria a primeira nem a última vez que uma dançarina cometeria este erro : decidir fazer uma coreografia bastante arrojada e provocativa ao som do chamamento muçulmano para a reza. Por vezes a dançarina sabe que a melodia é sagrada mas não se importa o suficiente a ponto de respeitá-la ou pode mesmo desconhecer o que está a ser dito. Esta visto que dançar ao som de cantos sagrados desperta a ira dos muçulmanos e nós não queremos isso pois não?

Estado de espírito que não combina com a canção - Dançar com sensualidade e algo provocativamente ao som da música turca Bir Demet Yasemen, uma canção triste que diz "Um punhado de jasmim é a única memória que tenho do nosso amor. Não existe um fim para a nossa separação assim como não há fim para a dor que tenho no meu coração". A música fala de uma separação por morte e qualquer pessoa que entenda turco ficaria chocada ao assistir a tal actuação!

Por isso estão a ver...conhecer a música que interpretamos é importante, especialmente se a vamos interpretar para o público.

2 comentários:

Ana Teresa Santos disse...

pronto né so das trabalho! agora tenho k ir procurar a traduçao das letras antes d as escolher pa certa ocasiao... :p

Anónimo disse...

Eu não tenho nem tempo nem dinheiro para aprender árabe, mas está na minha lista... quem sabe, um dia...

Entretanto, para não dar barraca, o melhor para as exibições é escolher músicas sem letra, ou músicas cantadas em línguas que nos sejam mais familiares.